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Aumento da população estrangeira traz à tona a questão do racismo na Coreia do Sul 1

Racismo 1

Imagem de restaurante na Coreia do Sul, com aviso “Nós pedimos desculpa, mas por conta do vírus ebola nós não aceitamos africanos”.

O tamanho da população estrangeira na Coreia do Sul tem aumentado constantemente, e, com isso, muitos estrangeiros têm trazido à tona a questão do racismo no país

 

A Onda Hallyu ultrapassou as fronteiras nacionais e chegou aos lares de pessoas de todo o mundo. O aumento no interesse pela cultura pop sul-coreana tem feito com que muitos estrangeiros queiram visitar o país, estudar e até trabalhar ali. Em anos recentes, mais e mais estrangeiros tornaram-se celebridades no país através de programas de variedades, como o comediante Sam Hammington e várias mulheres do programa Chit Chat of Beautiful Ladies. Mas a Coreia do Sul está preparada para receber e aceitar esses estrangeiros como seus cidadãos?

Em 2004, a população estrangeira no país girava em torno de 720 mil. Em 2013, esse número havia saltado para 1.57 milhões. Devido a esse aumento, muitas histórias de confrontos raciais entre estrangeiros e nativos têm vindo à tona.

Recentemente, o jogador de beisebol Shane Youman, do time Lotte Giants, abordou o assunto por usar uma camiseta com os dizeres em coreano: “Tenha cuidado com o que você diz”, na parte da frente e “Alguém está escutando”, na parte de trás. O jogador usou essa camiseta como uma forma de protesto contra o racismo no país. Sobre isso, ele disse: “Nada tem sido feito a respeito desses incidentes. Espero que esta camiseta chame a atenção de muitos, e aumente a percepção sobre o problema racial tanto na Organização Coreana de Beisebol quanto no país”.

Shane Youman

Shane Youman, jogador de baseball. Foto: Reprodução

Em 2013, o jogador de beisebol Kim TaeKyun, do time Hanwha Eagles, fez observações racistas a respeito de Youman em um programa de rádio, quando disse: “O rosto dele é muito preto, então fica muito difícil rebater, porque seus dentes brancos e a bola me confundem quando ele sorri em campo”. Kim pediu desculpas a Youman, mas isso não impediu os protestos públicos contra comentários racistas como esse. Ainda mais recentemente, o jogador de beisebol Lee SoonChul, que jogava pelo time Kia Tigers, fez um comentário racista na televisão, quando disse: “Você já esteve na República Dominicana? Não há iluminação pública fora de Santo Domingo. Você nem consegue ver as pessoas à noite, porque a pele delas é tão escura”.

Outros incidentes racistas que surgiram online incluem o caso de um estudante de intercâmbio chinês, que prestou queixa por ter sido chamado pelo termo racista jjangkkae (forma pejorativa de referir-se aos chineses), e um caso ocorrido no mês de janeiro, quando um americano postou uma foto no Twitter de um restaurante que nomeou um de seus pratos de frango frito como “Irmão Negro” (em coreano, Heuk hyung). Ainda mais chocante foi o caso de outro restaurante, que colocou um aviso banindo a entrada de africanos devido ao vírus Ébola, pelo qual eles rapidamente se retrataram e pediram desculpas, após protestos e comoção pública.

É evidente que com o passar dos anos, o país se transformou em uma sociedade multicultural e começou a entender e aceitar os estrangeiros, mas eles ainda estão nos primeiros estágios de integrá-los totalmente a sua sociedade. Em 2013, o jornal The Washington Post publicou um mapa do mundo mostrando quais países eram mais ou menos receptivos aos estrangeiros, e a Coreia do Sul apareceu como um dos menos acolhedores. Além disso, outra pesquisa feita pelo mesmo jornal revelou que 1 a cada 3 sul-coreanos afirmou que não gostaria de ter um vizinho estrangeiro.

Mapa

A antropologista cultural da universidade Yonsei, Kim HyonMi, afirmou que não existem leis que previnam a discriminação; por outro lado, a lei dos direitos civis para prevenir a discriminação nos Estados Unidos foi decretada em 1964. Na Austrália, leis prevenindo a discriminação foram aprovadas em 1975. Isso mostra que o racismo é, obviamente, um problema mundial, mas para um país como a Coreia do Sul, em que o problema é novo, levará algum tempo para ser resolvido. Países como os Estados Unidos têm tido problemas com o racismo por décadas e, mesmo agora, ainda há questões raciais que afligem a nação.

Em um país como a Coreia do Sul, que permaneceu etnocêntrico por um longo período de tempo, este súbito afluxo de estrangeiros é um choque para a maioria. Além disso, o problema é que muitos desses comentários racistas feitos no rádio e na televisão têm a finalidade de divertir a audiência. Portanto, uma vez que a audiência pare de rir e comece a repreender aqueles que fazem tais comentários, o país estará no caminho para ajudar a erradicar o racismo.

Fonte: Koreaboo
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