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[ESPECIAL] Cultura&Arte: Patrimônios da UNESCO na Coreia do Sul 1

A serie especial ‘Cultura&Arte’  foi desenvolvida em parceria com o Governo da República da Coreia e o Centro Cultural Coreano no Brasil. Revisão: Priscila Chung.

Pavilhão Gyeonghoeru (Tesouro no. 224). Foto: Natália Pak (SarangInGayo)

Pavilhão Gyeonghoeru (Tesouro no. 224). Foto: Natália Pak (SarangInGayo)

 

O vibrante legado cultural da Coreia, que inclui música, arte, literatura, dança, arquitetura, vestuário e culinária, oferece uma deliciosa combinação de tradição e modernidade, e é hoje apreciado em várias partes do mundo. 

 

Desde os primeiros povoados na península coreana e no sudeste da Manchúria, durante os tempos pré-históricos, o povo da Coreia desenvolveu uma cultura distinta baseada na sua sensibilidade artística única. As condições geográficas da península proporcionaram aos coreanos oportunidades para receber tanto as culturas continentais, quanto as marítimas, e amplos recursos que, por sua vez, lhes permitiu formar culturas específicas de interesse e valor para o resto da humanidade, tanto no passado como nos dias atuais.

No momento atual, as artes e cultura coreana estão atraindo muitos entusiastas ao redor do mundo. As realizações culturais e artísticas da Coreia através dos tempos, agora estão levando muitos dos seus jovens talentos aos mais prestigiados concursos de música e dança do mundo, enquanto suas obras literárias estão sendo traduzidas em muitas línguas diferentes para leitores globais. Mais recentemente, artistas pop coreanos têm atraído um grande número de admiradores por todo o mundo, e o sucesso mais espetacular foi o hit mundial do Psy, Gangnam Style.

A prosperidade cultural que a Coreia do Sul obteve ultimamente não seria possível sem a sua cultura e suas artes tradicionais, que foram construídas sobre as características do povo coreano de tenacidade e perseverança, combinadas com uma sensibilidade artística que amadureceu por toda a longa história do país. A sensibilidade artística única, refletida em diversos artefatos e murais das tumbas do Período dos Três Reinos, tornou-se mais rica e mais profunda conforme a Coreia avançou pelos períodos da Silla Unificada (676-935), Goryeo (918-1392) e Joseon (1392-1910). Essa sensibilidade estética tem sido transmitida por gerações aos artistas coreanos e até mesmo aos membros ordinários do público atual.

A Coreia preserva uma riqueza inestimável de patrimônio cultural, alguns dos quais têm sido inscritos nas listas de legados humanos protegidos pela UNESCO. Atualmente, um total de 40 itens do patrimônio coreano estão listados como Patrimônio Mundial ou como Obras-Primas do Patrimônio Oral e Intangível da Humanidade, ou foram incluídas no Programa Memória do Mundo da UNESCO.

Palácio de Changdeokgung

Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

O Palácio de Changdeokgung, localizado em Waryong-dong, Jongno-gu, Seul, é um dos cinco Palácios Reais de Joseon (1392-1910) e ainda contém as estruturas originais do palácio e outros vestígios intactos. Ele foi construído em 1405, como uma Vila Real, mas tornou-se Residência Real Oficial da Dinastia Joseon, depois que Gyeongbokgung, o palácio principal original, foi destruído pelo fogo em 1592, quando as forças japonesas invadiram a Coreia. Posteriormente, manteve sua posição de prestígio até 1867, quando Gyeongbokgung foi reformado e restaurado ao seu estado original. Changdeokgung foi listado como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1997.
Embora tenha sido construído durante o Período de Joseon, Changdeokgung mostra traços da influência da tradição arquitetônica de Goryeo, como sua localização no pé de uma montanha. Palácios reais eram normalmente construídos de acordo com um layout planejado para enfatizar a dignidade e a autoridade de seu ocupante, mas o layout de Changdeokgung foi planejado para aproveitar ao máximo as características geográficas da base da montanha Bugaksan.
Os edifícios originais do palácio foram preservados intactos, incluindo o Portão Donhwamun, sua entrada principal, Injeongjeon Hall; Seonjeongjeon Hall e um belo jardim tradicional para a parte posterior dos edifícios principais. O palácio também contém Nakseonjae, um conjunto de elegantes edifícios tradicionais, criado na metade do século XIX como residência para os membros da família real.

 

Santuário de Jongmyo

Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

Jongmyo, localizado em Hunjeong-dong, Jongno-gu, em Seul, é o santuário real ancestral da Dinastia Joseon (1392-1910). Foi construído para abrigar oitenta e três placas memoriais com as tabletes ancestrais dos Reis de Joseon, suas Rainhas Consortes e os ancestrais diretos do fundador da dinastia, que postumamente foram agraciados com títulos reais. Como Joseon foi fundada de acordo com a ideologia confucionista, seus governantes consideraram muito importante colocar os ensinamentos confucionistas em prática e santificar as instituições onde as placas memoriais dos ancestrais foram consagradas.
Os dois principais edifícios no Santuário Real, o Jeongjeon Hall e o Yeongnyeongjeon Hall, apresentam uma simetria bem precisa, e existem diferenças entre a altura da plataforma elevada, a altura para os alpendres e a parte superior do telhado, e a espessura das colunas, de acordo com o seus status. O santuário inteiro mantém suas características originais, incluindo as duas salas do santuário que exibem o estilo arquitetônico único do século XVI. Ritos memoriais sazonais, que comemoram a vida e as realizações dos ancestrais reais de Joseon, ainda são realizados no santuário.

Fortaleza de Hwaseong, em Suwon 

Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

Localizada atualmente em Jangan-gu de Suwon-si, Gyeonggi-do, a Hwaseong é uma grande fortaleza (suas paredes estendem-se por 5,7 km) construída em 1796, durante o reinado do Rei Jeongjo (1776-1800), da Dinastia Joseon. A construção da fortaleza foi iniciada depois que o rei mudou o túmulo de seu pai, Príncipe Coroado Sado, de Yangju, em Gyeonggi-do, para sua atual localização, próximo à fortaleza. A fortificação é elaborada e cuidadosamente projetada para executar eficazmente sua função de proteger a cidade que fica dentro dela. A construção da fortaleza e das instalações anexas envolveu o uso de dispositivos científicos, desenvolvidos pelo ilustre pensador confucionista e escritor Jeong Yak-yong (1762-1836), incluindo o Geojunggi (tipo de guindaste) e Nongno (roda de polia), usados para levantar materiais de construção pesados, tais como pedras.

Gruta Seokguram e Templo Bulguksa

Foto: Reprodução (Korea.net)

Foto: Reprodução (Korea.net)

Seokguram, localizado em meio às encostas da Montanha Toham em Gyeongju, Gyeongsangbuk-do, é um eremitério budista com uma caverna de pedra artificial construída em 774, para servir como uma sala de darma. O salão abriga uma imagem do Buda sentado rodeado por seus guardiões e seguidores esculpidos em relevo, o que é amplamente admirado como uma grande obra-prima. A caverna fica virada para o leste e é projetada para que o Buda principal receba os primeiros raios do sol que nascem no Mar do Leste sobre sua cabeça.
Finalizada no mesmo ano da Gruta Seokguram, o Templo Bulguksa consiste de requintadas salas de oração e vários monumentos, incluindo dois pagodes de pedra, o Dabotap e o Seokgatap, localizados no pátio frontal do salão de oração principal, Daeungjeon. Os dois pagodes são amplamente considerados como os melhores pagodes existentes em Silla: o primeiro é admirado por seus detalhes sofisticadamente esculpidos, o segundo por sua estrutura encantadoramente simples.
Dabotap, ou o Pagode de Tesouros Abundantes, é marcado por uma peculiar estrutura, construída com blocos de granito ricamente esculpidos. Ele também aparece na moeda coreana de 10 won. Por outro lado, o Seokgatap ou o Pagode de Shakyamuni, é mais conhecido por sua estrutura encantadoramente simples, que exibe equilíbrio e simetria. Atualmente, o pagode é considerado, no geral, como o arquétipo de todos os pagodes de três andares de pedra construídos posteriormente em toda Coreia. Entre os outros tesouros preservados no templo estão as duas requintadas pontes de pedra, Cheongungyo (Ponte da Nuvem Azul) e Baegungyo (Ponte da Nuvem Branca), que levam a Daeungjeon, a principal sala de Darma do templo. As pontes simbolizam a jornada que cada budista precisa fazer para alcançar a Terra Pura da Felicidade.

Tumbas Reais da Dinastia Joseon

Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

A Dinastia Joseon (1392-1910) deixou para trás um total de 44 tumbas de seus Reis e suas Rainhas Consortes, a maioria das quais está localizada na área da capital e ao seu redor, incluindo as cidades de Guri, Goyang e Namyangju em Gyeonggi-do. Algumas dessas Tumbas Reais estão organizadas em pequenos grupos em Donggureung, Seooreung, Seosamneung e Hongyureung. Dessas, 40 estão registradas como Patrimônio Mundial da UNESCO. As Tumbas Reais de Joseon são altamente reconhecidas como patrimônio tangível que refletem os valores mantidos pelo povo coreano, que foram retirados da ideologia confucionista e da tradição do feng shui. Essas ruínas históricas também são muito valorizadas por terem sido preservadas em sua condição original.

 

Repositórios de Janggyeongpanjeon do Templo Haeinsa, Hapcheon

Foto: Reprodução (UNESCO)

Foto: Reprodução (UNESCO)

Os blocos de madeira gravados do Tripitaka Koreana, que foram confeccionados durante a Dinastia Goryeo (918-1392), estão alojados em dois repositórios, construídos especialmente para essa finalidade em 1488, no Templo de Haeinsa. Como os mais antigos edifícios restantes no templo, os repositórios Tripitaka são distinguidos pelo método exclusivamente científico e altamente eficaz de controle de ventilação e umidade para garantir o armazenamento seguro dos antigos blocos de madeira.
Os edifícios foram construídos lado a lado no ponto mais alto (cerca de 700m acima do nível do mar), nas instalações do Templo de Haeinsa, que está localizado no meio da encosta da Montanha de Gaya (Gayasan). O que torna esses repositórios tão especiais é o seu design exclusivo, que proporciona ventilação natural eficaz, explorando o vento que sopra do vale de Gayasan. Janelas abertas de treliça de diferentes tamanhos estão dispostas em fileiras superiores e inferiores, tanto nas paredes frontais, quanto nas paredes posteriores dos repositórios, para promover um fluxo otimizado de ar que vem do vale. A janela de treliça, que está projetada para controlar o fluxo de ar para manter a temperatura certa, demonstra extraordinárias técnicas arquitetônicas científicas. Da mesma forma, o piso, que foi construído por camadas prensadas de carvão, argila, areia, sal e pó de cal, também ajuda a controlar a umidade das salas.

Guerreiro de Pedra, Guardião das Tumbas Reais

UNESCO World Heritage, Royal Tombs of the Joseon Dynasty Seolleung Royal Tomb June 10, 2015 Seolleung, Gangnam-gu, Seoul Ministry of Culture, Sports and Tourism Korean Culture and Information Service Korea.net (www.korea.net) Official Photographer : Jeon Han This official Republic of Korea photograph is being made available only for publication by news organizations and/or for personal printing by the subject(s) of the photograph. The photograph may not be manipulated in any way. Also, it may not be used in any type of commercial, advertisement, product or promotion that in any way suggests approval or endorsement from the government of the Republic of Korea. ------------------------------------------------- 유네스코 세계문화유산 조선왕릉 선릉 2015-06-10 선정릉 문화체육관광부 해외문화홍보원 코리아넷 전한

Foto: Reprodução (Jeon Han / Korea.net)

Cada uma das tumbas reais de Joseon consiste de um ou mais montes semiesféricos protegidos com pedras calçadas, colocadas em torno da base e com balaustradas e animais de pedra ricamente esculpidos, incluindo um cordeiro e um tigre, em especial, representando a mansidão e ferocidade. Na área frontal há uma mesa de pedra retangular que era usada para oferecer sacrifícios aos espíritos da realeza ali enterrados, e um pilar de pedra octogonal alto foi erguido para assegurar a visão de ambos os lados e de longe.  Uma lanterna de pedra está colocada em frente às esculturas de animais, e os três lados (leste, oeste e norte) da tumba são delimitados por uma muralha de pedra. Foram construídos um ou mais pares de guardiões, oficiais civis e militares de pedra com seus cavalos.

Fortaleza Namhansanseong

Foto: Reprodução (Korea.net)

Foto: Reprodução (Korea.net)

A Fortaleza de Namhansanseong, localizada aproximadamente a 25km a sudeste de Seul, passou por uma reestruturação em grande escala em 1626, durante o reinado do Rei Injo da Dinastia Joseon, para criar um refúgio para o Rei e seu povo, no caso de uma emergência nacional. Os alicerces da Fortaleza de Jujangseong, construídos quase mil anos antes, em 672, durante o reinado do Rei Munmu da Silla Unificada, serviram como a base da estrutura renovada. A posição defensiva da fortaleza foi reforçada, através da exploração da topografia acidentada da montanha (altura média: pelo menos 480m). O perímetro de seu muro é de cerca de 12,3 km. De acordo com um registro que data da Dinastia Joseon, aproximadamente 4 mil pessoas viviam na cidade construída dentro da fortaleza. Palácios temporários, o Santuário de Jongmyo e o Altar de Sajikdan foram construídos na fortaleza em 1711 durante o reinado do Rei Sukjong de Joseon. A fortaleza também é um resultado do amplo intercâmbio feito e das guerras travadas entre a Coreia (Joseon), o Japão (Dinastia de Azuchi-Momoyama) e a China (Ming e Qing), durante os séculos XVI a XVIII.
A introdução de canhões de países ocidentais trouxe muitas mudanças para o armamento da fortaleza e à forma como a fortaleza foi construída. A fortaleza é um “registro vivo” das mudanças da forma como as fortalezas eram construídas durante os séculos VII a XIX.

Áreas históricas de Baekje

Festival Cultural de Baekje. Foto: Reprodução (Korea Tourism Organization)

Festival Cultural de Baekje. Foto: Reprodução (Korea Tourism Organization)

Baekje é um dos antigos países que existiu na Península Coreana de 18 a.C., até o ano 660 da Era Cristã. Localizadas na região montanhosa do centro-oeste da República da Coreia, as Áreas Históricas de Baekje compreendem uma série de oito sítios arqueológicos, incluindo a Fortaleza de Gongsanseong (Local histórico Nº 12) e as tumbas antigas em Songsan-ri (Local histórico Nº 13) na Cidade de Gongju, a Fortaleza de Busosanseong (Local histórico Nº 5), Sítio Arqueológico em Gwanbuk-ri (Local histórico Nº 428), Templos de Jeongnimsa (Local histórico Nº 301), Túmulos antigos em Neungsan-ri (Local histórico Nº 14) e a Muralha externa da cidade (Local histórico Nº 68) no município de Buyeo-gun, o Sítio Arqueológico em Wanggung-ri e o templo em Mireuksa, na cidade de Iksan.

Essa propriedade representa as vias históricas de relações entre os antigos reinos do leste asiático da Coreia, China e Japão do século V ao VII, e teve uma participação importante no desenvolvimento da arquitetura e na propagação do budismo. Através desta propriedade, a notoriedade de sua capital, templos budistas, túmulos antigos, arquitetura e pagodes de pedra comprovam a cultura, a religião e a estética do período do antigo reino de Baekje. Reconhecidos como elementos centrais da cidade antiga, a fortaleza, o local do palácio, os muros da cidade, o túmulo real e os templos budistas representam os valores universais notáveis do patrimônio das áreas históricas de Baekje.
Estes locais conservaram as evidências cruciais de fatores da antiga arquitetura e do avanço tecnológico. A fortaleza, o muro da cidade, a região montanhosa do túmulo real e o local para rota de tráfego estão incluídos tanto no patrimônio aplicado quanto na zona neutra.
Cada componente do patrimônio aplicado é designado como patrimônio do Estado, e alguns pontos fazem parte do programa de conservação especializada da cidade antiga. Os componentes dos sítios arqueológicos, a fortaleza, o túmulo real, a estrutura arquitetônica do pagode de pedra, as Áreas históricas de Baekje também mantêm toda a autenticidade da estrutura da cidade.
O patrimônio aplicado e os componentes incluídos investiram um esforço significativo para manter as evidências históricas em todos os aspectos que determinam a autenticidade do patrimônio.

 

O Especial “Cultura&Arte” traz matérias completas sobre os aspectos tradicionais da cultura coreana. Acompanhe todo o conteúdo pela tag #KCULTURE nas redes sociais!

 

Fonte: Ministério da Cultura da Coreia do Sul; Centro Cultural Coreano no Brasil

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