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[ESPECIAL] Cultura&Arte: O ‘Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade’ 0

A serie especial ‘Cultura&Arte’  foi desenvolvida em parceria com o Governo da República da Coreia e o Centro Cultural Coreano no Brasil. Revisão: Priscila Chung.

Pavilhão Gyeonghoeru (Tesouro no. 224). Foto: Natália Pak (SarangInGayo)

Pavilhão Gyeonghoeru (Tesouro no. 224). Foto: Natália Pak (SarangInGayo)

O vibrante legado cultural da Coreia, que inclui música, arte, literatura, dança, arquitetura, vestuário e culinária, oferece uma deliciosa combinação de tradição e modernidade, e é hoje apreciado em várias partes do mundo. 

 

Rito Real Ancestral e Música Ritual

Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

O Rito Real Ancestral (Jongmyo Jerye) – agora realizado no primeiro domingo de maio, para homenagear os falecidos Reis de Joseon e suas Rainhas Consortes no Santuário de Jongmyo, em Seul – permaneceu como uma das mais importantes cerimônias de Estado após o estabelecimento de Joseon como um estado confucionista, em 1392. Projetado para manter a ordem social e promover a solidariedade, o ritual consiste em apresentações de música orquestral cerimonial e danças, exaltando as realizações civis e militares dos ancestrais reais de Joseon. Esse ritual confuciano milenar, que combina esplêndidas apresentações de música e dança, é amplamente admirado não só por preservar as características originais formadas há mais de 500 anos, mas também por sua forma única de arte sincrética ou composta.
Pansori.

Pansori é um gênero de narrativa musical executado por um vocalista,acompanhado por um percussionista, em que ele ou ela combina canto (sori) com gestos (ballim) e narrativa (aniri), para apresentar um drama épico concebido a partir de contos populares famosos e eventos históricos conhecidos. A forma de arte foi criada durante o século XVIII, gerando artistas e plateias entusiasmadas desde então.

 

Festival Gangneung Danoje

Foto: Reprodução (Everyday Korea)

Foto: Reprodução (Everyday Korea)

Esse festival de verão realizado anualmente em Gangneung, Gangwon-do e em seus arredores por cerca de 30 dias, próximo de Dano (dia 5 de maio, no calendário lunar), é um dos festivais folclóricos mais antigos da Coreia e foi preservado em sua forma original desde o seu surgimento há muitos séculos. O festival começa com o tradicional ritual de honra ao deus da montanha de Daegwallyeong e continua com uma grande variedade de jogos folclóricos, eventos e rituais durante os quais são oferecidas orações para uma boa colheita, a paz e a prosperidade das aldeias e casas individuais, e a unidade e a solidariedade da comunidade.

O primeiro evento do Festival Danoje está relacionado à preparação de “bebidas divinas” (sinju) para serem oferecidas aos deuses e deusas, ligando, assim, o mundo humano ao mundo divino. Isso é seguido por uma série de eventos festivos, como a Dança de Máscaras de Gwanno, uma apresentação não-verbal por atores mascarados, passeio de carrossel, ssireum (luta livre coreana), apresentações de rua por bandas de fazendeiros, lavar o cabelo com changpo (íris) e comer bolo de arroz surichwi. De todos eles, o evento da lavagem de cabelo com changpo é especialmente muito praticado pelas mulheres, que acreditam que o extrato de changpo vai lhes proporcionar um cabelo mais brilhante e repelir os espíritos do mal que dizem que trazem doenças.

 

Ganggangsullae

Foto: Reprodução (Weyesweb)

Foto: Reprodução (Weyesweb)

Esse evento tradicional, que combina uma dança de roda com canto e jogos folclóricos, era realizado por mulheres em torno das áreas costeiras de Jeollanam-do durante os feriados tradicionais, tais como o Chuseok (Festival da Colheita Lunar/Dia de Ação de Graças) e o Daeboreum (a primeira lua cheia do Ano Novo no calendário lunar) em especial. Hoje, apenas a parte da dança é escolhida para ser apresentada por dançarinos profissionais. A apresentação original, no entanto, incluía vários jogos folclóricos diferentes, tais como o Namsaengi nori (apresentação teatral dos palhaços errantes de Namsadang), Deokseok mori (rolar o tapete de palha) e Gosari kkeokgi (colher brotos de samambaia). Enquanto dançam, os artistas cantam a Canção de Ganggansullae alternadamente com o vocalista, no ritmo da música e da dança, que se torna cada vez mais rápido.

 

Namsadang Nori

Foto: Reprodução (KOCIS)

Foto: Reprodução (KOCIS)

O Namsadang nori, geralmente realizado por uma trupe itinerante de artistas masculinos, composta por várias partes distintas, incluindo o Pungmul nori (música e dança), o Jultagi (equilibrismo na corda bamba), Daejeop dolligi (malabarismo com pratos), Gamyeongeuk (teatro de máscaras) e Kkokdugaksi noreum (teatro de fantoches). É uma peça folclórica coreana tradicional, que era geralmente apresentada entre os agricultores. Os artistas também tocavam instrumentos enquanto dançavam, tais como o buk (tambor), o janggu (tambor em formato de ampulheta), o kkwaenggwari (pequeno gongo de metal), o jing (grande gongo de metal) e dois instrumentos de sopro chamados nabal e taepyeongso.

Falcoaria

Foto: Reprodução (Korea Tourism Organization)

Foto: Reprodução (Korea Tourism Organization)

A Coreia tem uma longa tradição na criação e treinamento de falcões e outras aves de rapina para a captura de presas como os faisões selvagens ou lebres. Evidências arqueológicas e históricas mostram que a falcoaria na península coreana começou há vários milhares de anos e foi muito praticada durante a Dinastia de Goryeo (918-1392), em particular. O esporte era mais popular na região norte do que no sul do país, e era geralmente praticado durante a temporada de inverno, quando os agricultores não precisavam realizar trabalhos agrícolas.
Os falcoeiros amarravam uma corda de couro em torno do tornozelo de seu pássaro, uma etiqueta de identificação e um sino em sua cauda. A tradição coreana foi inscrita na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade, em 2010, juntamente com aqueles preservados em onze países ao redor do mundo, incluindo a República Checa, França, Mongólia, Espanha e Síria.

Yeongsanjae

Foto: Reprodução (Visit Korea)

Foto: Reprodução (Visit Korea)

Yeongsanjae, que significa literalmente “Rituais do Pico do Abutre”, é um ritual budista realizado no 49º dia após a morte de uma pessoa, para confortar o seu espírito e guiá-lo para a terra budista da felicidade. O ritual, conhecido por ser realizado desde a Dinastia de Goryeo (918-1392), consiste em solene música e dança budistas, de um sermão sobre os ensinamentos de Buda, e a realização de uma oração. Embora seja uma parte essencial da tradição budista coreana, realizada para guiar tanto os vivos quanto os mortos para o reino das verdades budistas e ajudá-los a se libertarem de toda a impureza e o sofrimento, era algumas vezes realizado para a paz e a prosperidade do Estado e do povo.

Jeju Chilmeoridang Yeongdeunggut

Foto: Reprodução (VIsit Korea)

Foto: Reprodução (VIsit Korea)

Esse ritual xamânico milenar já foi, durante uma época, realizado em quase todas as cidades e vilas de Jejudo, com fiéis rezando por uma boa pesca e pela segurança dos pescadores que trabalham no mar. Segundo a crença popular tradicional dos habitantes de Jejudo, o segundo mês lunar é o mês de Yeongdeung, durante o qual a Avó Yeongdeung, uma divindade do vento, visita todas as aldeias, plantações e lares em Jeju, trazendo as boas novas sobre a colheita no outono que se aproxima.

 

Taekkyeon

Foto: Reprodução (UNESCO)

Foto: Reprodução (UNESCO)

Uma das artes marciais tradicionais remanescentes desenvolvida na Coreia, o Taekkyeon, que é bastante diferente do Taekwondo, costumava ser conhecida por diversos nomes, tais como Gakhui (“esporte das pernas”) e Bigaksul (“arte das pernas voadoras”), embora tais nomes sugiram que ela está relacionada com o movimento de chutar. Como a maioria das outras artes marciais em que armas não são usadas, o Taekkyeon visa melhorar técnicas de autodefesa e promover a saúde física e mental, através da prática de movimentos corporais orquestrados em forma de dança, usando principalmente os pés e as pernas. Os participantes são encorajados a se concentrar mais na defesa do que no ataque e a derrubar o oponente no chão usando as mãos e os pés, ou pular e chutá-lo no rosto para ganhar um confronto.

 

Jultagi

Foto: Reprodução (Visit Korea)

Foto: Reprodução (Visit Korea)

Na tradicional arte coreana do jultagi (equilibrismo na corda bamba), um equilibrista executa uma série de movimentos acrobáticos, assim como canta e conta narrativas engraçadas, enquanto caminha ao longo de uma corda bamba. Ele geralmente é auxiliado por um eorit gwangdae (palhaço) no chão, que responde às suas palavras e movimentos com comentários espirituosos e gestos cômicos para estimular uma reação divertida nos espectadores. O equilibrismo na corda bamba era realizado formalmente na Corte Real para celebrar ocasiões especiais, como o Dia do Ano Novo (Lunar) ou para entreter convidados especiais, tais como os emissários estrangeiros. No entanto, a aspiração dos governantes de Joseon a um estilo de vida mais austero gradualmente levou essa arte para as vilas e mercados, e se tornou definitivamente um entretenimento para as pessoas comuns. Enquanto em outros países, o equilibrismo na corda bamba tende a concentrar-se sobre as técnicas de andar na corda em si, os equilibristas coreanos estão interessados em músicas e comédia, bem como em acrobacias, desse modo, envolvem os espectadores mais profundamente na apresentação.

 

Arirang

Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

Arirang é o nome de uma canção folclórica cantada pelo povo coreano desde os tempos antigos. Há muitas variações da canção, embora a letra de seus refrões tenham as palavras “arirang” ou “arari” em comum. Era cantada para as mais diversas finalidades, como reduzir sentimentos de tédio durante o trabalho, confessar os sentimentos verdadeiros para a pessoa amada, rezar para o ser divino, pedindo uma vida feliz e pacífica, e entreter as pessoas que se reuniam para uma comemoração. Um elemento que ajudou “Arirang” a permanecer querida para o povo coreano por tantos anos é sua forma, que foi criada para permitir que qualquer cantor facilmente adicione suas próprias palavras para expressar seus sentimentos.

A importância da “Arirang” na vida cotidiana do povo coreano e a sua partitura foi escrita pela primeira vez por Homer B. Hulbert (1863-1949), um missionário americano e fervoroso defensor da independência coreana. Ele apresenta“Arirang” sucintamente com as seguintes palavras em um ensaio intitulado Korean Vocal Music (Música Vocal Coreana), na edição de fevereiro de 1896 de uma revista mensal chamada Korean Repository (Repertório Coreano):

“A primeira e mais notável dessa classe é aquela cantiga popular de mais ou menos setecentos e oitenta e dois versos, que leva o nome eufônico de A-ri-rang. Para o coreano comum, essa cantiga tem o mesmo valor na música que tem o arroz, na comida — todo o resto é mero adendo. Você a escuta em todos os lugares e o tempo todo. Os versos que são cantados com esse refrão têm relação com todas as áreas, desde lenda, folclore, canções de ninar, canções para beber, vida doméstica, viagem e amor. Para os coreanos, os versos são líricos, didáticos e épicos, todos combinados em um só. Eles são ao mesmo tempo a Mamãe Ganso e Byron, Tio Remus e Wordsworth.

 

Kimjang: Fazendo e Compartilhando Kimchi na Coreia

Foto: Reprodução (Korea.net)

Foto: Reprodução (Korea.net)

Kimjang é a atividade de fazer kimchi, que é realizada por toda a Coreia, durante o final do outono, como parte dos preparativos para garantir alimentos frescos e saudáveis para a temporada de inverno. Atualmente, ganhou uma reputação mundial como representante da comida coreana, mas o kimchi sempre foi um dos principais pratos necessários para completar as refeições do dia a dia do povo coreano desde os tempos antigos. É por isso que o kimjang tem sido um evento anual da maior importância para famílias e comunidades inteiras na Coreia.

Os preparativos para se fazer kimchi para a temporada de inverno seguem um ciclo anual. Na primavera, as famílias adquirem uma seleção de frutos do mar, incluindo camarões e anchovas em especial, que eles salgam e deixam para fermentar, até que estejam prontos para o uso na época do kimjang. Eles então compram sal marinho seco de boa qualidade e preparem o pó de pimenta malagueta, no verão, e os principais ingredientes, a acelga kimchi e o nabo branco coreano, no outono. Em seguida, com a aproximação do inverno, os membros das famílias e as comunidades afins se reúnem em uma data mutuamente acordada para fazer kimchi em quantidades suficientes para sustentar famílias com alimentos frescos durante o longo e duro inverno. Ao mesmo tempo em que, atualmente, a Coreia é uma nação moderna e industrializada, a antiga tradição de se fazer kimchi ainda é mantida como uma atividade cultural coletiva, contribuindo para um sentimento comum de identidade social e de solidariedade entre o povo coreano de hoje. A tradição foi registrada pela UNESCO em sua Lista Representativa do Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade em 5 de dezembro de 2013.

 

O Especial “Cultura&Arte” traz matérias completas sobre os aspectos tradicionais da cultura coreana. Acompanhe todo o conteúdo pela tag #KCULTURE nas redes sociais!

Fonte: Ministério da Cultura da Coreia do Sul; Centro Cultural Coreano no Brasil

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