[ESPECIAL] Cultura&Arte: Hallyu, a Onda coreana (parte II)

A serie especial ‘Cultura&Arte’  foi desenvolvida em parceria com o Governo da República da Coreia e o Centro Cultural Coreano no Brasil. Revisão: Priscila Chung.

Pavilhão Gyeonghoeru (Tesouro no. 224). Foto: Natália Pak (SarangInGayo)
Pavilhão Gyeonghoeru (Tesouro no. 224). Foto: Natália Pak (SarangInGayo)

O vibrante legado cultural da Coreia, que inclui música, arte, literatura, dança, arquitetura, vestuário e culinária, oferece uma deliciosa combinação de tradição e modernidade, e é hoje apreciado em várias partes do mundo. 

 

Um termo hoje em dia muito utilizado para se referir à popularidade do entretenimento e da cultura coreana em toda a Ásia e em outras partes do mundo, Hallyu ou a “Onda Coreana”, apareceu pela primeira vez durante meados da década de 1990, após a Coreia iniciar relações diplomáticas com a China em 1992, e as novelas de TV e a música pop coreanas ganharem grande popularidade nas comunidades de língua chinesa.

 

Música

Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)
Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

O maestro Chung Myung-whun trabalhou como diretor musical e maestro residente da Ópera da Bastilha em Paris.Ele recebeu o prêmio Una Vita Nella do Teatro La Fenice, em Veneza, em julho de 2013. A comunidade coreana de música clássica tem continuado a produzir artistas do mais alto padrão internacional da música vocal e instrumental. Por exemplo, cinco jovens artistas coreanos ganharam cinco prêmios nas disciplinas de piano, solo vocal e violino no Concurso Internacional Tchaikovsky, realizado em 2011, uma das três principais competições internacionais de música.

A Coreia tem produzido vocalistas de destaque, dos quais Su-mi Jo (soprano), Hong Hei-kyung (soprano), Shin Young-okey (soprano), Kwang-chul Youn (baixo) e Samuel Yoon (baixo barítono) são avidamente procurados por amantes de música clássica em muitas partes do mundo. Em relação à música instrumental, Yeol EumSon (piano), Dong hyek Lim (piano), Sarah Chang (violino) e Zia Hyun-su Shin (violino) realizam concertos regularmente para os seus fãs– principalmente na Coreia, nos EUA e em vários países europeus.

Lee Hee-ah, uma pianista de quatro dedos, é também muito aclamada, não só por suas grandes atuações, mas também por sua luta heroica contra uma desafiadora condição física. Eles foram precedidos por uma primeira geração de músicos clássicos da Coreia, incluindo dois pianistas, Han Tong-il e Kun-woo Paik, que fascinaram os públicos internacionais entre as décadas de 1950 e 1970, e que ainda tocam para muitos fãs entusiasmados.

Myung-whun Chung, o atual maestro da Orquestra Filarmônica de Seul, começou sua carreira no mundo da música clássica como um pianista, tocando regularmente como um membro do Chung Trio, com suas duas irmãs, Chung Kyung-wha, que ganhou reconhecimento mundial como violinista, e Chung Myung-wha, que toca violoncelo. Mais tarde, ele se dedicou à regência e conduziu algumas das orquestras mais prestigiadas do mundo, incluindo a Filarmônica de Berlim, a Filarmônica de Londres e a Orquestra de Paris, antes de trabalhar como diretor musical e maestro residente da Ópera da Bastilha em Paris.

Teatro Musical

Daesung (BIG BANG) , atuando no musical "Cats". Foto: Reprodução (i.skyrock.net)
DaeSung (BIG BANG) , atuando no musical “Cats”. Foto: Reprodução (i.skyrock.net)

Os público coreano do teatro, recentemente, começou a prestar mais atenção às comédias musicais apresentadas nos palcos. O aumento da demanda por musicais de boa qualidade resultou na exibição de títulos famosos, tais como Jekyll & Hyde, Chicago e Cats, pelas equipes originais ou coreanas, e a produção de novos musicais escritos e dirigidos por talentos coreanos. Algumas dessas produções coreanas foram convidadas a se apresentar no Japão e no sudeste asiático.

O próspero cenário do teatro musical, na Coreia, resultou na criação de um grupo de estrelas como Choi Jung-won, Nam Kyung-joo e Jo Seung-woo, cuja reputação cresceu com musicais de palco, e Yoon Bok-hee, Insooni e Ock Joo-hyun, que se tornaram grandes atrizes musicais, devido ao seu sucesso no palco K-Pop.

 

Dança Moderna e Ballet

Kim Ki-min, bailarino clássico. Foto: Reprodução (mariinsky.ru)
Kim Ki-min, bailarino clássico. Foto: Reprodução (mariinsky.ru)

O lançamento da Companhia Nacional de Dança da Coreia, em 1962, ofereceu o estímulo para um aumento do interesse pela dança moderna na Coreia. A mudança do ambiente, eventualmente, levou ao nascimento de uma grande dançarina, Sin Cha Hong (nascida em 1943), que agora é considerada a primeira bailarina de vanguarda e a principal artista performática da Coreia. Ela aprendeu a dançar com Alwin Nikolais, nos Estados Unidos, e trabalhou lá até 1990, retornando à Coreia para se envolver em várias atividades relacionadas com a dança moderna.

Na década de 1980 a Coreia testemunhou a fundação de duas companhias de ballet, a Universal Ballet (1984) e a Seul Ballet (1986), que ainda produzem ativamente apresentações de ballet clássico na Coreia e no exterior. O aumento da popularidade do ballet resultou na chegada de eminentes bailarinas, incluindo Kang Sue-jin, que se tornou a primeira asiática a ser membro do Ballet de Stuttgart, em 1986, no qual ela é, agora, a dançarina principal. Seo Hee entrou para a ABT Studio Company, em 2004, e se tornou a principal dançarina no ABT, em 2012. Recentemente, o bailarino coreano Kim Ki-min integrou – como o primeiro bailarino asiático – a companhia russa Mariinsky Ballet, reconhecida como uma das principais companhias de balé clássico do mundo.

 

Arte Moderna

Nam June Paik, o "pai da vídeo arte". Foto: Reprodução (amazonaws)
Nam June Paik, o “pai da vídeo arte”. Foto: Reprodução (amazonaws)

A primeira geração de artistas modernos coreanos representada por Nam June Paik (1932-2006), que é considerado o fundador da videoarte, foi seguida por uma nova geração de artistas ilustres, como Chang Ree-suok, Chang Dookun, Paek Young-soo, Chun Kyung Ja, Kim Tschangyeul e Suh Se-ok.

Mais recentemente, o mundo da arte coreana foi representado por um grupo de pintores e escultores como Chun Kwang Young, Park Seo-bo, Lee Jongsang Jongsang, Song Soo-nam, Lee Doo-shik, Lee Wal-jong, Youn Myeung-ro, Lee Il, Kang Ik-joong, Lim Ok-sang, Kim Young-won e Choi Jong-tae, que ganharam fãs internacionais.

O crescimento econômico rápido da Coreia na década de 1970 resultou na criação de inúmeras instituições públicas e privadas de arte, das quais cerca de 60 estão localizadas no centro de Seul, em Insa-dong e principalmente em Samcheong-dong, como O Espaço de Arte de Gana, o Centro de Arte de Seul, a Galeria de Gongpyeong e o Museu de Belas-Artes de Kyung-in. Mais recentemente, Cheongdam-dong, em Gangnam-gu, ao sul do Rio Han, emergiu como um centro de arte nobre coreana. Quanto aos eventos internacionais de arte, a Bienal de Gwangju, lançada em 1995 cresceu e se tornou uma grande exposição de arte contemporânea na Ásia.

 

Literatura Moderna

Imagem: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)
Imagem: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

A publicação em inglês da obra Please Look After Mom (‘Por favor, Cuide da Mamãe’), um romance de Shin Kyung-sook, pelo Knopf Doubleday Publishing Group, nos Estados Unidos, em abril de 2011, foi vista como um sinal de ampliação da “Onda Coreana” para o mundo da literatura internacional. O livro foi listado entre os dez mais vendidos da Amazon assim que foi lançado no mercado americano, e foi prontamente publicado em aproximadamente 30 países da Ásia (incluindo o Japão), na Europa, e na Austrália. Em junho de 2012, o autor realizou uma reunião bem-sucedida em Ljubljana, capital da Eslovênia, para marcar a publicação de seu trabalho no idioma esloveno.

Em seguida, outra obra, Li Chin, foi traduzida para o francês e publicada pela editora francesa Philippe Picquier. Gong Ji-young é outro romancista coreano contemporâneo bem sucedido, e algumas de suas obras, “Our Happy Hours” (2005), “My Joyful Home” (2007) e “The Crucible” (2009) se tornaram sucessos absolutos de bilheteria e foram traduzidas para o japonês.

A poesia contemporânea coreana é representada por um grande nome, Ko Un, que é mencionado frequentemente como um dos principais candidatos ao Prêmio Nobel de Literatura, há um bom tempo. Ele continua a escrever poemas que emocionam seus leitores desde sua estreia com “Tuberculosis” em 1958. Ele completou uma série enorme de poemas, “Ten Thousand Lives”, em 2010, e teve antologias de seus poemas publicados na Alemanha e Turquia, no ano seguinte. As últimas duas décadas têm oferecido preciosas oportunidades aos romancistas coreanos contemporâneos de encontrar novos leitores no exterior. Romances coreanos traduzidos para línguas estrangeiras durante o período incluem “Secrets and Lies” (Russo, 2009), de Eun Hee-kyung; “The Rainy Spell”, “Firewood”, e “Sailing Without a Mast”(Sueco, 2009), de Yun Heung-gil; e “A Distant and Beautiful Place” (Chinês e Turco, 2010) e “Contradictions” (Búlgaro, 2010), de Yang Gui-ja.

A abertura do Departamento de Estudos Coreanos na Universidade de Sofia, Bulgária, em 1995, levou à interpretação de uma seleção de romances e contos coreanos contemporâneos para leitores locais, incluindo “A Dwarf Launches a Little Ball”, de Cho Se-hui e “Our Twisted Hero”, por Yi Mun Yol.

A febre global do K-Pop resultou em maior atenção aos trabalhos literários coreanos e ao idioma coreano, principalmente entre os jovens. O Instituto Rei Sejong, uma instituição criada em 2008 para apoiar o ensino da língua coreana realizado em todo o mundo, aumentou o número de suas escolas filiadas de 17, em 2008, para 113 em 2013. Enquanto isso, o 78º Congresso Internacional PEN ocorreu em Gyeongju, capital do antigo Reino Silla por mil anos, em setembro de 2012. O encontro, realizado na Coreia pela terceira vez após 1970 e 1988, atraiu 700 literatos, homens e mulheres de 114 países em todo o mundo, incluindo ganhadores do prêmio Nobel, como Jean-Marie Gustave Le Clezio, da França, Akinwande Oluwole Wole Soyinka, da Nigéria, e Ferit Orhan Pamuk, da Turquia.

 

Culinária Coreana e Costumes Culinários

A “Onda Coreana”, agora, parece estar se expandindo para outras áreas culturais, tais como alimentos e tradições culinárias. Restaurantes que servem pratos tradicionais coreanos começaram a abrir nas principais metrópoles do mundo, como Nova York, Londres e Paris, atraindo elogios até mesmo dos gourmets mais exigentes. Kimchi, bulgogi, bibimbap e outros pratos amados pelo povo coreano através de muitas gerações, agora estão começando a aparecer nas casas ao redor do mundo.

Chefs em alguns restaurantes nos Estados Unidos começaram a combinar pratos tradicionais coreanos com tradições ocidentais, criando o hambúrguer de bibimbap, costelinhas marinadas com molho gochujang, o cachorro-quente de kimchi, e bife de gochujang para nova-iorquinos, que sempre estão prontos a aceitar o novo e o exótico. Da mesma forma, o número de restaurantes coreanos aumentou para cerca de 100 apenas em Paris, contando, no presente, com muitos clientes franceses e locais, embora, no passado, a maioria dos clientes fossem coreanos expatriados e seus amigos asiáticos.

De acordo com as últimas pesquisas, os pratos mais populares servidos pelos restaurantes coreanos em Paris são o bibimbap e o bulgogi, dos quais o primeiro é especialmente considerado por seu bom equilíbrio nutricional, assim como por seu aroma e sabor. Em julho de 2012, um jantar especial no estilo coreano foi realizado no Museu Victoria and Albert, em Londres, para comemorar os Jogos Olímpicos de Londres.

 

O Especial “Cultura&Arte” traz matérias completas sobre os aspectos tradicionais da cultura coreana. Acompanhe todo o conteúdo pela tag #KCULTURE nas redes sociais!

 

Fonte: Ministério da Cultura da Coreia do Sul; Centro Cultural Coreano no Brasil

Post Author: Erica Imenes

Érica Imenes ('89 line), São Paulo. Formada em Produção Audiovisual e formanda em Jornalismo trabalha com eventos, comunicação e artes ha 10 anos. É a metade criativa da coluna de Moda e Comportamento do SarangInGayo, Girls On Fiction, faz freelas de Make-Up Artist desde 2011 e também co-produz o novo canal de comunicação do site, o SIG TV. Considera impossível amor sem café e chocolate, e é fã assumida de 2NE1, BEAST e BTS. Junto a família SarangInGayo, Érica pretende trabalhar duro em prol da disseminação da cultura sul-coreana no Brasil e espalhar o espírito "fighting" da Onda Hallyu no país.