[ESPECIAL] Cultura&Arte: Hallyu, a Onda coreana (parte I)

A serie especial ‘Cultura&Arte’  foi desenvolvida em parceria com o Governo da República da Coreia e o Centro Cultural Coreano no Brasil. Revisão: Priscila Chung.

Pavilhão Gyeonghoeru (Tesouro no. 224). Foto: Natália Pak (SarangInGayo)
Pavilhão Gyeonghoeru (Tesouro no. 224). Foto: Natália Pak (SarangInGayo)

O vibrante legado cultural da Coreia, que inclui música, arte, literatura, dança, arquitetura, vestuário e culinária, oferece uma deliciosa combinação de tradição e modernidade, e é hoje apreciado em várias partes do mundo. 

 

Um termo hoje em dia muito utilizado para se referir à popularidade do entretenimento e da cultura coreana em toda a Ásia e em outras partes do mundo, Hallyu ou a “Onda Coreana”, apareceu pela primeira vez durante meados da década de 1990, após a Coreia iniciar relações diplomáticas com a China em 1992, e as novelas de TV e a música pop coreanas ganharem grande popularidade nas comunidades de língua chinesa. Quando uma das primeiras novelas de TV bem-sucedidas, What Is Love? (O que é o amor?), foi ao ar pela CCTV, em 1997, teve um índice de audiência de 4,2%, o que significou que a novela foi assistida por mais de 150 milhões de telespectadores chineses.

A música pop coreana, especialmente a dance music, começou a ganhar popularidade entre os adolescentes chineses depois que foi seriamente introduzida em 1997, em um programa de rádio chamado “Seoul Music Room”, transmitido a partir de Beijing. O momento decisivo que despertou a febre da cultura pop coreana na China foi o show da boyband coreana, H.O.T., realizado no Ginásio dos Trabalhadores de Beijing, em fevereiro de 2000. Os boletins de notícias coreanos usaram o termo Hallyu, ou “Onda Coreana”, ao descrever este show. A “Onda Coreana”, reconhecida por um artigo publicado no “Beijing Youth Daily” (Diário da Juventude de Beijing) no início de novembro de 1999, começou finalmente a ser reconhecida pelos próprios coreanos a partir deste ponto.

Imagem: Reprodução (DramaFever)
Imagem: Reprodução (DramaFever)

A “Onda Coreana” chegou no Japão em 2003, quando a série da KBS, Winter Sonata (Sonata de Inverno), foi transmitida pela NHK. A novela se tornou um sucesso absoluto instantaneamente, tornando seu herói masculino, Yon Sama, um nome familiar, fazendo com que os entusiasmados fãs japoneses fossem visitar várias locações do filme, incluindo a ilha Namiseom, na Coreia. As organizações relacionadas à Hallyu, desde julho de 2013, contam com um total de 9 milhões de membros.

A mania da “Onda Coreana” se expandiu para a cultura tradicional coreana, a comida, a literatura e a língua, criando mais e mais entusiastas. De acordo com os números mais recentes, havia 987 organizações relacionadas à Hallyu desde 2013, com um total de 9 milhões de membros; 234 (cerca de 6,8 milhões de pessoas) na Ásia e na Oceania, 464 (cerca de 1,25 milhões de pessoas) na América, 213 (cerca de 1,17 milhões de pessoas) na Europa e 76 (cerca de 60 mil pessoas) na África e no Oriente Médio. A grande maioria destas organizações são clubes de fãs de K-Pop, mas ultimamente começaram a surgir novos grupos de pessoas cujos interesses são mais diversos.

 

 

K-Pop

PSY, dono do sucesso "Gangnam Style". Foto: Reprodução (Centro Cultural Coreano no Brasil)
PSY, dono do sucesso “Gangnam Style”. Foto: Reprodução (Centro Cultural Coreano no Brasil)

K-Pop se refere à música pop coreana. O termo é uma combinação da letra inicial de ‘Coreia’ em inglês (K) e a palavra ‘pop’. Desde a sua entrada inicial no mercado global, em meados da década de 2000, o K-Pop tem atraído muitos fãs na Ásia Oriental e está espalhando sua musicalidade para muitas partes da Europa, EUA e América do Sul. O crescimento mundial do K-Pop é, provavelmente, melhor representado pela música Gangnam Style, do Psy, que conquistou o mundo assim que foi lançada no final de 2012.

A música foi a primeira do estilo K-Pop a chegar à posição de no. 1 na British Official Singles Chart, o ranking britânico de singles, e ficou em 2a posição nas 100 Mais da Billboard, nos EUA por sete semanas consecutivas. A música também obteve 2 bilhões de visualizações no Youtube (a partir de novembro de 2014), desde que foi disponibilizado na internet em 15 de julho de 2012.

O sucesso mundial de Gangnam Style foi precedido por um surto de grupos de ídolos K-Pop, como TVXQ, Super Junior, Big Bang, 2NE1, BEAST, Girls’ Generation, 2PM e Wonder Girls, que dominaram o mercado da música pop em toda a Ásia. O TVXQ fez uma turnê com um total de 65 shows no Japão, de 2006 a 2012, reunindo mais de 700 mil fãs e vendendo mais de 6,3 milhões de álbuns. No final de 2009, o Wonder Girls tornou-se o primeiro grupo coreano a entrar na Billboard Hot 100 Chart, dos EUA, com a música Nobody. A popularidade dos cantores de K-Pop se deve, em grande parte, a suas excelentes habilidades vocais, sua deslumbrante presença de palco, e às bem coreografadas e impecáveis apresentações de dança, entre outras coisas. Embora possam parecer confortáveis e carismáticos no palco, seus desempenhos são resultado de muitos anos de trabalho árduo, e não de qualquer talento inato.

BIG BANG. Foto: Reprodução (jpopasia.com)
BIG BANG. Foto: Reprodução (jpopasia.com)

Grupos de ídolos coreanos estão espalhando a febre do K-Pop por todo o mundo, da Ásia à Austrália, a Europa e as Américas do Norte e do Sul. Mais recentemente, grupos de ídolos de K-Pop tendem a estar mais interessados nas apresentações conjuntas com outros artistas contratados pela mesma agência. Um dos mais bem-sucedidos eventos desse tipo ocorreu em junho de 2011, quando os artistas da SM Entertainment realizaram um show conjunto no Le Zenith, de Paris, na capital francesa, atraindo mais de 7 mil fãs. O evento é considerado um importante impulso para os artistas de K-Pop, para serem recebidos pelo mercado europeu de música com mais seriedade.

No ano de 2011, ocorreram eventos semelhantes realizados em várias cidades diferentes ao redor do mundo, começando com um Festival de K-Pop que atraiu mais de 45 mil fãs para o Tokyo Dome em julho. O JYJ fez shows na Espanha e na Alemanha, e os artistas da CUBE Entertainment se apresentaram na Grã-Bretanha e no Brasil.

Em outubro, o grupo Girls’ Generation realizou um show especial no Madison Square Garden, em Nova York, cujo sucesso cobriu a primeira página do jornal Daily News de Nova York, em 23 de outubro, com uma grande foto de uma cena do show e a manchete bastante sensacionalista: “Ataque das Estrelas do K-Pop”. Em fevereiro do ano seguinte, outro grande festival de K-Pop foi realizado no estádio Bercy Palais Omnisports, em Paris, com mais de 10 mil fãs provenientes de toda a Europa, que encheram o estádio inteiro. Entre eles estavam fãs apaixonados que vieram da Alemanha, passando pela Espanha e Portugal.

 

 

Telenovelas

Cena do drama "Dae Jang Geum". Foto: Reprodução (DramaFever)
Cena do drama “Dae Jang Geum”. Foto: Reprodução (DramaFever)

O grande sucesso internacional de What Is Love? (MBC) e de Winter Sonata (KBS), na China e no Japão, desempenharam um papel fundamental ao impulsionar o frenesi pelas novelas de TV coreanas em toda a Ásia e no restante do mundo.

Esses sucessos foram seguidos por Dae Jang Geum (MBC), uma série de TV épica sobre uma cozinheira órfã que se transformou na primeira mulher médica do Rei. Originalmente exibida entre 2003 e 2004, a novela se tornou um dos programas de TV de maior audiência na Coreia antes de ser exportada para 87 países ao redor do mundo — incluindo os países islâmicos como o Irã, onde ela conquistou cerca de 80% da audiência — fascinando os telespectadores com o retrato da tradicional cultura coreana, como a cozinha da Corte Real coreana, os trajes tradicionais e o conhecimento medicinal.

A impressionante história de sucesso das novelas de TV coreanas continuou na década de 2010 com Big Thing (SBS, 2010), Giant (SBS, 2010), Secret Garden (SBS, 2011), Love Rain (KBS, 2012) e That Winter, The Wind Blows (SBS, 2013). De todas elas, Love Rain foi exportada para o Japão por 9 bilhões de KRW. Em 2013, That Winter, the Wind Blows foi exportada para algumas emissoras locais da América do Norte, bem como para dez países asiáticos, incluindo a China e o Japão.

 

Cinema

Rain, no flme "Ninja Assassin". Foto: Reprodução
Rain, no flme “Ninja Assassin”. Foto: Reprodução

A popularidade mundial da cultura pop coreana resultou no ressurgimento das estrelas do cinema da Hallyu, como o Bae YongJoon (mais conhecido como Yon Sama no Japão), Jang DongGun, Lee SeoJin, Kwon SangWoo, Won Bin, Jang KeunSuk, Lee Byung-hun, Rain, Jun Ji-hyun e Bae Doo-na. Destes, os quatro últimos apareceram como personagens principais em filmes de Hollywood.

A excelente reputação internacional que certos diretores e estrelas de cinema coreanos desfrutam hoje é, em parte, devido aos festivais internacionais de cinema realizados na Coreia, incluindo o Festival Internacional de Cinema de Busan (BIFF), o Festival Internacional de Cinema de Jeonju (JIFF) e o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Bucheon (BiFan).

Comunidades internacionais de cinema têm começado recentemente a mostrar um grande interesse por filmes e diretores de cinema coreanos. Os diretores coreanos que atraíram a atenção dos críticos ocidentais incluem Im Kwon-taek, Lee Chang-dong, Park Chan-wook, Hong Sang-soo, Kim Ki-duk, Kim Jee-woon, Im Sang-soo e Bong Joon-ho, os quais todos produziram obras-primas como se para recompensar o seu apoio e as expectativas em torno deles, tais como Strokes of Fire (2002), de Im Kwon-taek; Secret Sunshine (2007), de Lee Chang-dong; Thirst (2009), de Park Chan-wook; e The Taste of Money (2012), de Im Sang-soo.

Para Kim Ki-duk, um momento memorável veio em setembro de 2012, quando ele se tornou o primeiro diretor coreano a ganhar o Leão de Ouro no 69o. Festival Internacional de Cinema de Veneza, com Pietà. Ele fez sua estreia como diretor em 1996, apenas três anos após suspender seus estudos de arte para os quais ele ficou em Paris de 1990 a 1993, e começar a produzir obras como Birdcage Inn (1998), The Isle (2000), e 3-Iron (2004), causando polêmica igualmente entre os críticos de cinema e o público.

Além dele, Park Chan-wook, Kim Jee-woon e Bong Joon-ho foram sucessos comerciais e de crítica, convidados para Hollywood, a fim de fazer os filmes de maior público. Em 2012, The Thieves, um filme de Choi Dong-hoon, foi escolhido para competir no Programa de Cinema de Mundo Contemporâneo, do Festival Internacional de Cinema de Toronto 2013.

O aumento do interesse em filmes coreanos, entre os cinéfilos coreanos, produziu recentemente alguns megassucessos de bilheteria. The Thieves, por exemplo, atraiu 12,98 milhões de espectadores apenas na Coreia e foi vendido para oito países asiáticos, incluindo Singapura, Malásia, Brunei e Indonésia. Vários outros filmes também atraíram mais de 10 milhões de espectadores incluindo Masquerade (2012), Silmido (2003), Taegukgi (2004), The King and the Clown (2005), The Host (2006) e Haeundae (2009).

Enquanto isso, o Festival Internacional de Cinema de Guanajuato designou a Coreia como convidada de honra em julho de 2011 e exibiu um total de 76 filmes coreanos, em programas focados em filmes de terror coreano e em dois diretores de cinema, Bong Joon-ho e Kim Dongwon.

Festivais de Filme na Coreia

Festival Internacional de Cinema de Busan
Tornando-se, rapidamente, um importante festival de cinema asiático após o seu lançamento, em 1996, o BIFF oferece à comunidade de filmes asiáticos uma oportunidade de apresentar, assistir, discutir e negociar novos filmes, documentários, comerciais e filmes independentes, tanto digitais quanto analógicos, em meio à cobertura da mídia global.
www.biff.kr

Festival Internacional de Cinema Fantástico de Bucheon
Realizado em julho em Bucheon, Gyeonggi-do, desde 1997, o BiFan apresenta aos amantes de filmes coreanos, os filmes de terror, suspense, mistério e fantasia produzidos na Coreia e em outros países asiáticos.
www.bifan.kr

Festival Internacional de Cinema de Jeonju
Lançado em 2000 e realizado anualmente em Jeonju, casa da cultura tradicional coreana, o JIFF se concentra em filmes que são marcados por sua criatividade artística, ao mesmo tempo em que desafiam as convenções existentes.
www.jiff.or.kr

 

O Especial “Cultura&Arte” traz matérias completas sobre os aspectos tradicionais da cultura coreana. Acompanhe todo o conteúdo pela tag #KCULTURE nas redes sociais!

 

Fonte: Ministério da Cultura da Coreia do Sul; Centro Cultural Coreano no Brasil

Post Author: Erica Imenes

Érica Imenes ('89 line), São Paulo. Formada em Produção Audiovisual e formanda em Jornalismo trabalha com eventos, comunicação e artes ha 10 anos. É a metade criativa da coluna de Moda e Comportamento do SarangInGayo, Girls On Fiction, faz freelas de Make-Up Artist desde 2011 e também co-produz o novo canal de comunicação do site, o SIG TV. Considera impossível amor sem café e chocolate, e é fã assumida de 2NE1, BEAST e BTS. Junto a família SarangInGayo, Érica pretende trabalhar duro em prol da disseminação da cultura sul-coreana no Brasil e espalhar o espírito "fighting" da Onda Hallyu no país.