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[ESPECIAL] Cultura&Arte: Artes tradicionais da Coreia 0

A serie especial ‘Cultura&Arte’  foi desenvolvida em parceria com o Governo da República da Coreia e o Centro Cultural Coreano no Brasil. Revisão: Priscila Chung.

Pavilhão Gyeonghoeru (Tesouro no. 224). Foto: Natália Pak (SarangInGayo)

Pavilhão Gyeonghoeru (Tesouro no. 224). Foto: Natália Pak (SarangInGayo)

O vibrante legado cultural da Coreia, que inclui música, arte, literatura, dança, arquitetura, vestuário e culinária, oferece uma deliciosa combinação de tradição e modernidade, e é hoje apreciado em várias partes do mundo. 

 

Gugak

Foto: Reprodução (Korean Gugak Center)

Foto: Reprodução (Korean Gugak Center)

O termo Gugak, que significa literalmente “música nacional”, refere-se à música tradicional coreana e a outras formas de arte relacionadas, incluindo canções, danças e movimentos cerimoniais. A história da música na Coreia deveria ser tão longa quanto a própria história coreana, mas foi só no início do século XV, durante o reinado do Rei Sejong, da Dinastia Joseon (1392-1910), que a música coreana se tornou um tema de estudo sério e foi desenvolvida em um sistema, resultando na criação do mais antigo sistema de notação mensural, chamado de Jeongganbo, na Ásia. Os esforços do Rei Sejong para reformar a música da corte, não só levaram à criação de um sistema de notação da própria Coreia, mas também à composição de uma música ritual especial para ser interpretada durante o Rito Ancestral Real, no Santuário de Jongmyo, — inscrita na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade, em 2001 — e Yeomillak, ou “Alegria do Povo”. O termo gugak foi usado pela primeira vez pela Jangagwon, uma agência do governo do final da Dinastia Joseon responsável pela música, para distinguir a música coreana tradicional da música estrangeira.

A música tradicional coreana é normalmente classificada em vários tipos: a “música legítima” (chamada de Jeongak ou Jeongga) que era apreciada pela realeza e a aristocracia de Joseon; a música folclórica, incluindo o pansori, o sanjo e o japga; Jeongjae (música da corte e dança) apresentadas para o rei em eventos comemorativos do Estado; música e dança relacionadas com as tradições xamânicas e budistas, tais como Salpuri, o Seungmu, e o Beompae; e poéticas canções amadas da elite de literatos como o Gagok e o Sijo. Das inúmeras canções folclóricas, Arirang— inscrita na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade da UNESCO, em 2012 — é particularmente estimada pelo povo comum, e há muitas variações com letras e melodias especiais concebidas para tocar os seus corações.

O povo coreano também desenvolveu uma ampla gama de instrumentos musicais. Esses instrumentos musicais tradicionais são geralmente divididos em três categorias: Há instrumentos de sopro, tais como o piri, o daegeum, o danso e o taepyeongso; instrumentos de corda, como o gayageum, o geomungo, o haegeum, o ajaeng e o bipa; e instrumentos de percussão, como o buk, o janggu, o kkwaenggwari e o jing.

 

Dança Folclórica

Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

O povo coreano herdou uma grande variedade de danças folclóricas, tais como a Salpurichum (dança de purificação espiritual), a Gutchum (dança de ritual xamânico), a Taepyeongmu (dança da paz), a Hallyangchum (dança dos ociosos), a Buchaechum (dança do leques), a Geommu (dança das espadas) e a Seungmu (dança dos monges). De todas elas, a Talchum (dança das máscaras) e a Pungmul nori (peça com instrumentos musicais) são conhecidas pela sua representação satírica da aristocracia corrupta de Joseon e sua estreita ligação com as comunidades rurais que, há muito tempo, tinham sido o alicerce da cultura e da tradição coreanas. A maioria das apresentações é realizada em um mercado ou nos campos, e envolvem tambores, danças e cantos.

 

Pintura e Caligrafia

Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

Foto: Divulgação (Centro Cultural Coreano no Brasil)

A pintura sempre foi um grande gênero da arte coreana desde os tempos antigos, se transformando junto com a história do país, até os dias de hoje. A arte da antiga Coreia é representada pelos murais das tumbas de Goguryeo (37 a.C. – 668), que contêm pistas valiosas sobre as crenças do povo coreano dos primórdios, a respeito da humanidade e do universo, bem como sua sensibilidade e técnicas artísticas. Historicamente, ela recebeu influências da China e também se espalhou para o Japão.

Os artistas de Goryeo (918-1392) estavam interessados em capturar ícones budistas e legaram algumas excelentes obras-primas, enquanto a elite de literatos de Joseon foi mais atraída ao simbolismo das plantas e animais, como os Quatro Nobres Senhores (Sagunja, ou seja, a orquídea, o crisântemo, o bambu e a ameixeira) e as Dez Criaturas da Longevidade (Sipjangsaeng), assim como as paisagens idealizadas.

A Coreia no século XVIII testemunhou a chegada de dois grandes artistas, Kim Hong-do e Sin Yun-bok, que desenvolveram um interesse passional em retratar as atividades diárias das pessoas comuns em seus trabalhos. Kim Hong-do preferia retratar um caleidoscópio de pessoas em diversas situações e cenas da vida cotidiana, enquanto que Sin Yun-bok, por sua vez, dedicou seus esforços para capturar momentos eróticos em obras que eram surpreendentemente voyeuristas para o período.

A caligrafia, que se desenvolveu na Coreia sob a influência da China, é a arte da escrita em que são apreciadas a beleza das linhas e as formas dos caracteres, bem como a energia contida nas pinceladas e nos sutis tons de tinta. Ao mesmo tempo que a caligrafia é um gênero independente de arte, ela tem sido estreitamente relacionada com a pintura com tinta e aquarela, pois essas formas usam técnicas similares e ferramentas comumente chamadas de “os quatro amigos do estudo” (ou seja, papel, pincel, bastão e pedra de tinta).

A Coreia tem produzido uma abundância de calígrafos mestres, dos quais Kim Jeong-hui (1786-1856) é particularmente famoso por desenvolver seu próprio estilo, que é conhecido como Chusache ou estilo Chusa (Chusa era seu pseudônimo). Seus trabalhos caligráficos fascinavam até mesmo os mestres chineses de seu tempo e são ainda extremamente admirados pela sua beleza artística notavelmente moderna.

 

Cerâmica

Foto: Reprodução (Youtube)

Foto: Reprodução (Youtube)

A cerâmica coreana, que hoje atrai os maiores elogios de colecionadores internacionais, normalmente é dividida em três grupos: Cheongja (céladon azul-everdeado), Buncheong (colagem por barbotina em utensílios de pedra) e Baekja (porcelana branca). Céladon refere-se a utensílios de pedra coreanos que passaram por transformações importantes nas mãos dos oleiros de Goryeo, de 700 a 1000 anos atrás. A cerâmica Céladon é marcada por uma atraente superfície azul jade e pela singular técnica coreana de incrustação usada para decorá-la. Gangjin, de Jeollanam-do, e Buan, de Jeollabuk-do, foram seus dois principais produtores durante a Dinastia de Goryeo (918-1392).

Utensílios de porcelana branca representam a arte cerâmica da Dinastia de Joseon (1392-1910). Enquanto alguns desses utensílios de porcelana exibem uma superfície branca leitosa, muitos estão decorados com uma grande variedade de desenhos pintados em ferro oxidado, cobre ou com o inestimável pigmento azul cobalto, importado da Pérsia através da China.

A Corte Real de Joseon utilizava seus próprios fornos em Gwangju, Gyeonggi-do, produzindo produtos da mais alta qualidade. As técnicas avançadas utilizadas na produção de louças de porcelana branca foram introduzidas no Japão pelos oleiros de Joseon, sequestrados durante a Imjin Waeran (Invasão da Coreia pelos Japoneses, de 1592 a 1598). O terceiro grupo principal de cerâmica coreana, o Buncheong, era feito pelos oleiros de Goryeo, após a queda de seu Reino, em 1392. Esse tipo de cerâmica é caracterizado por sua superfície lisa revestida e seus desenhos decorativos encantadoramente simples criados com o uso de várias técnicas diferentes. Obras de arte tradicionais, incluindo pinturas, caligrafias e cerâmicas são amplamente negociadas entre muitas galerias e lojas de antiguidades, em Insa-dong, e até mesmo através de leilões.

 

Artesanato

Kim EunYoung, artista de Maedeup. Foto: Reprodução (JoongAng Ilbo)

Kim EunYoung, artista de Maedeup. Foto: Reprodução (JoongAng Ilbo)

No passado, os artesãos e as mulheres coreanas desenvolveram uma vasta gama de técnicas para produzir os itens de que necessitavam em casa. Eles fizeram peças de mobiliário de madeira, como roupeiros, armários e mesas, marcadas por um olhar atento ao equilíbrio e à simetria, e teciam bonitas cestas, caixas e esteiras com bambu, glicínia ou lespedeza. Usavam papel de amoreira coreana para fazer máscaras, bonecos e enfeites de cerimoniais, e decoravam diversos objetos domésticos com laca preta e vermelha, extraída da natureza. Mais tarde, desenvolveram a arte de usar tiras de chifre de boi, cabaças e conchas lindamente tingidas para decorar os móveis.

Os bordados, os nós decorativos (Maedeup) e o tingimento natural também foram elementos importantes das artes e artesanatos tradicionais coreanos, que foram muito explorados para criar atraentes vestuários, objetos domésticos e ornamentos.

 

O Especial “Cultura&Arte” traz matérias completas sobre os aspectos tradicionais da cultura coreana. Acompanhe todo o conteúdo pela tag #KCULTURE nas redes sociais!

 

Fonte: Ministério da Cultura da Coreia do Sul; Centro Cultural Coreano no Brasil

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